Irmãos Grimm: Jacob e Wilhelm (entre 1785 e 1863)

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Inseridos num contexto histórico alemão de resistência às conquistas napoleônicas; os Irmãos Grimm recolhem diretamente da memória popular, as antigas narrativas, lendas ou sagas germânicas, conservadas por tradição oral. Buscando encontrar as origens da realidade histórica germânica, os pesquisadores encontram a fantasia, o fantástico, o mítico em temas comuns da época medieval. Então uma grande Literatura Infantil surge para encantar crianças de todo o mundo.


Tinham dois objetivos básicos com a pesquisa:

1 - Levantamento de elementos linguísticos para fundamentação dos estudos filológicos da língua alemã;


2 - Fixação dos textos do folclore literário germânico, expressão autêntica do espírito da raça.


O primeiro manuscrito da compilação de histórias data de 1810 e apresentava 51 narrativas. Em sua primeira edição, a compilação foi intitulada "Histórias das crianças e do lar" e já contava com mais algumas histórias. A quinquagésima edição, última com os autores vivos, já totalizava 181 narrativas. Algumas dessas histórias são de fundo europeu comum, tendo sido também recolhidas por Perrault, no séc. XVII, na França (o que remete à existência de uma fonte comum).


Na tradição oral, as histórias compiladas não eram destinadas ao público infantil e sim aos adultos. Foi os Irmãos Grimm que dedicaram as histórias às crianças por sua temática mágica e maravilhosa. Fundiram, assim, esses dois universos: o popular e o infantil. O título escolhido para a coletânea "Histórias das crianças e do lar" já evidencia uma proposta educativa. Alguns temas considerados mais cruéis ou imorais foram descartados do manuscrito de 1810.


O Romantismo trouxe ao mundo um sentido mais humanitário. Assim, a violência (presente nos Contos de Perrault) cede lugar a um humanismo, onde se destaca o sentido do maravilhoso da vida. Perpassam pelas histórias, de forma suave, duas temáticas em especial: a solidariedade e o amor ao próximo. A despeito dos aspectos negativos que continuam presentes nessas histórias, o que predomina, sempre, são a esperança e a confiança na vida. Ex.: Confrontando os finais da história do "Chapeuzinho Vermelho"; em Perrault (que termina com o lobo devorando a menina e a avó) e em Grimm (quando o caçador chega, abre a barriga do lobo, deixando que as duas saiam vivas e felizes; enquanto o lobo morria com a barriga cheia de pedras que o caçador ali colocou).


Vários críticos afirmam serem as histórias dos Grimm incentivadoras do conformismo e 

da submissão. Ainda assim, a permanência dessas narrativas, oriundas da tradição oral, justifica destaque conferido a esses autores alemães.


OS CONTOS DE GRIMM DISTRIBUEM-SE EM:


A) CONTOS DE ENCANTAMENTO: histórias que apresentam metamorfoses, ou transformações, por encantamento, a maioria;


B) CONTOS MARAVILHOSOS: histórias que apresentam o elemento mágico, sobrenatural, integrado naturalmente nas situações apresentadas;


C) FÁBULAS: histórias vividas por aminais;


D) LENDAS: histórias ligadas ao princípio dos tempos, ou da comunidade, e onde o mágico aparece como “milagre” ligado a uma divindade;


E) CONTOS DE ENIGMA OU MISTÉRIO: histórias que têm como eixo um enigma a ser desvendado;


F) CONTOS JOCOSOS: humorísticos ou divertidos.


A característica básica de tais narrativas (qualquer que seja sua espécie literária) é a de apresentar uma problemática simples: um só núcleo dramático. A repetição, ou reiteração, juntamente com a simplicidade de problemática e da estrutura narrativa, é outro elemento constitutivo básico dos contos populares. Da mesma forma que a elementaridade, ou simplicidade da mente popular, ou da infantil, repudia as estruturas narrativas complexas (devido à dificuldade de compreensão imediata que elas apresentam), também se desinteressam da matéria literária que apresente excessiva variedade, ou novidades que alterem continuamente as estruturas básicas já conhecidas.


Essa reiteração dos mesmos esquemas, na literatura popular infantil, vai ao encontro da exigência interior de seus leitores: apreciarem a repetição das "situações conhecidas", porque isso permite o prazer de conhecer, por antecipação, tudo o que vai acontecer na história. E mais, dominando, a priori, a marcha dos acontecimentos, o leitor sente-se seguro interiormente, é como se pudesse dominar a vida que flui e lhe escapa.