contando histórias com bonecos

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Seja manipulando bonecos, contando com fantoches, ou marionetes de fio, as histórias encantam até mesmo os mais velhos. Esse recurso estabelece uma “socialização” entre a criança e o personagem. Ela se interessa vivamente pelo mundo do boneco, a ponto de travar diálogos com ele, esquecendo/abstraindo completamente o manipulador. Note que as crianças, ou estão na fase do “animismo”, ou na fase da “imaginação”. Em ambas as fases, o encontro com o boneco é extremamente sadio. Na fase do animismo, a criança acredita mesmo que o personagem tem vida e se relaciona de forma verdadeira e espontânea. No segundo caso, a criança, apesar de entender que há alguém manipulando, sua imaginação anula a realidade e ela vivencia o momento de forma intensa e lúdica. Em ambos os casos, ela se abre emotivamente e é facilmente induzida a agir de determinadas formas, ou fazer ações propostas.


Os bonecos são indicados para promover a socialização e a ensinar hábitos, atitudes e rotinas para as crianças. Além disso, podem ser usados para estimular o “diálogo” puro e aberto. A criança contará ao boneco o que não contaria a um adulto, mesmo que este seja o manipulador. Muitas terapias lançam mão desse recurso para extrair das crianças acontecimentos, medos e traumas.


É nesse momento em que a criança está totalmente entregue, que podemos, com cuidado e com amor, doar um pouco das virtudes necessárias ao seu desenvolvimento. As palavras “mágicas” e ações como organização do próprio espaço, cuidados pessoais, respeito aos mais velhos… São qualidades que precisamos despertar nas crianças, e o boneco é um caminho lúdico e seguro.


IDADE PARA O TEATRO DE BONECOS:

Quando converso com meus alunos nas oficinas de contação de histórias e me perguntam qual seria a idade adequada para a introdução e uso dos fantoches, eu pego um dos bonecos e respondo e vou contando com o fantoche.


O grupo se inclina para ouvir e travar um diálogo com o boneco, assim que ele começa a ganhar vida através da manipulação. Aí peço para repetirem a pergunta, e respondo perguntando “Qual a a sua idade?”.


Por mais que os adultos e adolescentes argumentem que é “bobinho”, infantil e queiram demonstrar um certo “desinteresse”, sempre percebo um sorriso de canto de boca, um olhar que brilha com ares infantis ainda em vários momentos da apresentação.


Não há uma idade para a introdução dos fantoches, como também não há uma idade que seu uso deixe de ser alegre e proveitoso.


Acontece que, em algumas fases da vida, a interação e o olhar mudam em relação ao boneco:


  • ■ PRÉ-VERBAL: Estimula a fala e a interação;

  • ■ INICIO DA FALA: Estimula o diálogo e o querer;

  • ■ APÓS A PRIMEIRA DENTIÇÃO COMPLETA (3 anos +-): Estímulo a socialização e aos hábitos;

  • ■ INICIO DA ALFABETIZAÇÃO: Estímulo ao aprendizado, conceitualização e contextos.

Durante todas as fases, a apresentação dos fantoches também será uma técnica de contação de histórias usada para o entretenimento e diversão, em eventos sociais e culturais, em escolas e espaços públicos, sem qualquer prejuízo das destinações acima, que serão usadas em propostas distintas por educadores, pais e artistas.


Entenda que o uso dos bonecos numa contação de histórias é uma ferramenta da própria narrativa. Os espetáculos de teatro de bonecos e fantoches tem sua própria ciência e inserção cultural.