contando histórias com objetos cênicos

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Podemos nos apresentar contando histórias com objetos e divertir muito as crianças. Diversos tipos de objetos podem ser usados para contar histórias. Essa técnica advém do segmento “Animação de formas Inanimadas”, ou “Animação de Objetos” , que é, em princípio, um segmento dramático teatral em si. Uma das principais representantes da “animação de formas inanimadas” é “Ana Maria Amaral”, teórica e pesquisadora das técnicas envolvidas nessa vertente dramática.


A animação de objetos, ou de fomas inanimadas, pode ser subdividida em duas vertentes principais, e usaremos essas duas divisões também na contação de histórias, ou concomitantemente, ou escolhendo uma das duas representações:

  • ■ Figurativa;
  • ■ Iconográfica, ou não-figurativa.

Em ambas as maneiras, o contador será o condutor das ações e movimentação dos objetos, integrando a forma da “representação” e “expressão” que o objeto assumir à sua atuação na contação de história. Em outras palavras, o contador será o condutor principal da histórias e os objetos serão usados para facilitar a representação da história, não sendo o principal elemento da sessão.


Dar foco na animação do objeto, anulando o narrador da história, mergulhará a plateia na expressão pura da animação, que é outra forma de expressão teatral em si mesma, com suas técnicas iconográfica e de manipulação direta, independente de estarmos contando histórias com objetos.


“O teatro de formas animadas, ou teatro de animação, é um gênero teatral que inclui bonecos, máscaras, objetos, formas ou sombras, representando o homem, o animal ou idéias abstratas” - Ana Maria Amaral.


FORMA FIGURATIVA:


Aqui, os objetos assumem a forma de um personagem mais próximo da sua forma física, ou são “eles mesmos”, mas com “vida”. Como exemplo, um “bule” pode ser o próprio bule conversando com uma “xícara”. Eles são o que representam. Noutro exemplo, uma corda poderá representar uma “cobra”, pois é “similar” ao personagem em sua forma original. Esses objetos podem facilmente “figurar” seres e personagens visualmente reconhecíveis, pois possuem alguma característica” física daqueles que representam.


De qualquer maneira, o objeto fará parte da atuação do contador de história, em algum momento da narrativa e não será, em princípio, a técnica principal, pois se assim for, a contação deixa de existir e teremos “animação de objetos, ou formas inanimadas”.


Mesmo que o objeto represente ele mesmo, terá uma “personalidade” humana, advinda do animismo. Nesse sentido, aproxima-se literalmente da “fábula”, haja vista que os objetos emprestam as qualidades humanos para expressar caráter e personalidade.


De qualquer maneira, o objeto que fará parte da atuação do contador de história, ou em toda a sessão, ou em algum momento da narrativa, não será, em princípio, a técnica principal, pois se assim for, a contação deixa de existir e teremos “animação de objetos, ou formas inanimadas”. A contação ainda será centrada no narrador.


FORMA NÃO-FIGURATIVA:


Nessa forma, o objeto estará livre para representar personagens e seres diferentes de sua forma física. Eles representarão “personagens básicos e simbólicos”. Poderão ser: mãe, pai, garçom, policial, atleta, médico, professor, detetive. Ou mesmo representar emoções: medo, dor, alegria. Não terá similaridades físicas com o personagem que representa.


Na expressão não-figurativa, pouco importará que objeto, ou sua forma visual, tenha qualquer características do que ele está representando, mas sim “como” ele se movimenta e fala para externar as características que queremos mostrar ao público. Uma “qualidade” do objeto poderá servir para dar uma dinâmica ao personagem: cor, tamanho, textura, sonoridade.


Como exemplo, podemos imaginar uma roda de bicicleta infantil representando um mensageiro, entregador de cartas, ou um sapato sendo “manipulado” para representar um canguru.


As características de movimentação e tipo de “voz” empregada é que mostrará ao público que personagem o objeto representa.


OBJETOS COMO ELEMNTOS DA HISTÓRIA:


Também podemos usar objetos para enriquecer e dar dinâmica nas histórias. Brincando com características, como tamanho, cores e formatos. Uma brincadeira bem bacana é contar história com a “caixa mágica”, uma referência a “caixa de pandora”. Logicamente, não queremos tirar doenças e outras pragas assustadoras de dentro da caixa, como no mito da pandora, exceto se for no dia das bruxas.


Tiramos da caixa objetos e personagens conforme a história acontece, inventando dento de um roteiro mínimo pré-estabelecido, ou ensaiando cena-a-cena.


Podemos contar histórias usando objetos escolhendo-os pelas suas características físicas, ou emprestar características através da nossa empostação vocal e caracterizando-os com outros elementos.


Também podemos usar objetos livremente em histórias para dar dinâmica e enriquecer a história.


Planeje a história e o espaço cênico para que não fique poluído de coisas (objetos) que não vão ser usados na história,ou não terão relevância, principalmente quando se usa os objetos de forma figurativa e não-figurativa, porque as crianças tenderão a acreditar que tudo ali tem vida e será usado a qualquer momento, distraindo a atenção despropositadamente.